LS0230
Concretion 5629, 1956
Material, Técnica, Suporte
esmalte sobre chapa de alumínio
Dimensões
59,8 x 79,7 x 3,5 cm
Localização
Acervo Museu de Arte Contemporânea – MAC USP - Doação Museu de Arte Moderna de São Paulo.
Outros títulos
Concreção 5629 Composição
Local de Produção
Santo André, SP - Brasil
Inscrições
da assinatura: c.i.d. Sacilotto [relevo, crayon]
data de produção: c.i.d. 56 [relevo, crayon]
Obras Associadas
Excertos de Texto
- “[...] "Concretion 5629", que faz parte do acervo do Museu de Arte Contemporânea de São Paulo (MAC USP), é a 29ª obra feita pelo artista no ano de 1956.
"Concreção" é a ação de tornar concreto, solidificado. E é justamente "Concretion 5629" que marca a maturidade artística de Luiz Sacilotto. Há cinco décadas na coleção do Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, a obra de 1956 participou naquele mesmo ano da histórica Exposição Nacional de Arte Concreta, realizada no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) e, no ano seguinte, no Ministério da Educação e Saúde, no Rio de Janeiro. Formada por 38 triângulos pretos equiláteros, distribuídos em oito fileiras horizontais paralelas, sobre fundo branco, "Concretion 5629" traz em sua construção princípios da arte concreta, como o uso de formas geométricas e a repetição. Diferentemente de outras pinturas de Sacilotto feitas sobre tela ou madeira, neste trabalho o artista usa como suporte placas de alumínio que seriam descartadas como sucata pela metalúrgica onde trabalhava.
"Concretion 5629" marca também o momento em que Luiz Sacilotto começa a se aventurar pelo plano tridimensional. A superfície rígida do alumínio permitiu o corte e a dobra e fez deste trabalho de 1956 um relevo. A ficha técnica do museu não indica, mas os triângulos negros distam 0,4 centímetro da superfície branca de 60 × 80 cm. A medida, que parece pequena, é suficiente para mudar a relação entre os elementos do quadro e entre a obra e o mundo. A partir de "Concretion 5629", Sacilotto começa a incorporar variáveis do ambiente antes não consideradas, como a luz e, por consequência, a sombra. É como se a partir daquele momento a obra reivindicasse efetivamente ser uma presença no mundo, e não uma representação dele.” LOPES, F. 2019, p. 98-99 - “Na pintura, quando se apropria de um elemento, este atuará conforme suas próprias características, sempre com a preocupação de evidenciar todos os aspectos formais que nele atuam, desde a escolha do elemento que intriga o artista ao desenvolvimento da pesquisa visual. Os elementos geométricos são organizados na composição de maneira a oferecer ao fruidor uma "diversidade de mundos formais" (Eco, 1971, p. 170). Trabalhando uma visualidade objetiva, apropria-se do triângulo ordenado em série, semelhante no tamanho e na distância. Com os elementos pretos em relevo, a composição gera a ambiguidade figura-fundo, levando a uma dinâmica visual pelas novas realidades interpretativas.” CARVALHO, A. 1995, p. 96
- “Quando Sacilotto voltou a pintar, em 1974, logo após a morte de Waldemar Cordeiro, sua pintura já não era a mesma. Ele passou a criar num terreno que não lhe era estranho, que ganhou grande notoriedade exatamente no ano em que ele suspendeu sua produção, em 1965. Uma tendência da qual as grandes estrelas internacionais eram Victor Vasarely e Bridget Riley, a op art, abreviação de optical art. Um movimento do qual ele foi um dos precursores com trabalhos como "Concretion 5629", de 1956, que contém as características da nova ordem mundial das artes plásticas da época: uma pintura que explorava fenômenos ópticos que resultavam em vibração, pulsação, cintilação.” SACRAMENTO, E. 2001, p. 71
- “Em "Concreção 5629", os triângulos vibram no olho do espectador. Há uma perturbação, um efeito ótico.
Quando este trabalho foi realizado, a optical art ainda não estava formulada. [Haroldo de Campos]” SACRAMENTO, E. 2001, p. 75 - “Quando se observa a obra "Concretion 5629", realizada em alumínio pintado com esmalte industrial, não se enxerga separadamente cada um dos módulos que a compõem. A percepção que se tem é a do conjunto. Seus 68 triângulos equiláteros pretos, distribuídos em oito fileiras horizontais, em relevo, dão origem a 52 triângulos brancos. Com exceção dos localizados nas extremidades do conjunto, cada triângulo se justapõe a três outros, formando três losangos, com metade branca e metade preta, e um triângulo maior, resultante da união dos quatro módulos triangulares. Seis triângulos — três brancos e três pretos — cujos vértices se encontram dão origem a um hexágono.
A riqueza dessa composição geométrica e a variedade de efeitos ópticos que ela produz são extraordinárias.
Elas advêm da própria forma triangular, muito interativa e da maneira pela qual Sacilotto dispôs seus triângulos negros na obra. A ambiguidade fundo-forma atrai o olhar do espectador e provoca uma pulsação, desviando-o continuamente de um lado para outro. A composição não se entrega jamais. Quando a apreendemos de uma maneira, se mostra de modo diferente.
Além da múltipla visão de triângulos de tamanhos diversos, que vão se sucedendo ao olhar do observador, há a percepção intermitente de formas que remetem a "estantes" com compartimentos regulares na diagonal, ora virados para a esquerda, ora para a direita, ora para cima. Na verdade, o que se percebe não é apenas um arranjo de formas modulares, mas uma interação de tensões dirigidas. E como tensões possuem magnitude e direção, na perspectiva de Arnheim, pode-se identificá-las como "forças psicológicas".
A op art, que se tornou conhecida a partir da exposição "The Responsive Eye", realizada no Museu de Arte Moderna de Nova York em 1965, tem seus precursores. Um deles é seguramente Sacilotto, que produziu esta "Concretion" em 1956, e a expôs no mesmo ano na l Exposição Nacional de Arte Concreta.” SACRAMENTO, E. 2001, p. 75 - “Os relevos de Luiz Sacilotto, realizados na segunda metade da década de 1950, entre eles as Concreções 5624, 5629, 5732, 5836, em pleno período histórico do movimento, representam uma espécie de rito de passagem do bidimensional para a conquista do espaço. Eles se inscrevem entre as obras concretas mais admiráveis produzidas por Sacilotto. Trata-se de trabalhos concebidos como um projeto, em alumínio, como suporte e relevo, de um apuro formal impecável e de uma clareza absoluta. Neles Sacilotto consegue muito, com um mínimo de elementos e variações. Cada uma dessas Concreções tem uma personalidade distinta, inconfundível, como se fossem quatro estações.” SACRAMENTO, E. 2001, p. 77
- “Para mim, a obra mais significativa e instigante da 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta, inaugurada em dezembro de 1956 no Museu de Arte Moderna de São Paulo, foi "Concretion 5629", de Sacilotto, com sua série de triângulos pretos sobreposta em relevo sobre o fundo branco, numa montagem sutil, que projeta a vibração ótica desse quadro-escultura-de-parede, sugerindo múltiplas leituras. "Quantos triângulos tem o meu quadro?" — provocaria o autor. De fato, esses pluritriângulos reais e virtuais fazem-no precursor da op art, que só veio a emergir na década de 1960.
Embora o início desse tipo de arte venha sendo atribuído a Victor Vasarely, já que a produção histórica e cronológica da arte brasileira é escassamente conhecida no exterior, o certo é que o afamado artista húngaro, então radicado em Paris, só começou a praticar esse tipo de experiência visual nos anos 1960.
[...]
Uma foto da exposição de 1956 mostra-me examinando os surpreendentes relevos semiesculturais do quadro que para minha honra e alegria instalaram à esquerda do meu poema "ovonovelo", e que veio a integrar, mais tarde, o acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP). [Augusto de Campos]” MATTAR, D. 2021, p. 7-8 - “Os princípios do movimento virtual já estavam presentes na obra do artista desde o período concreto. Sacilotto sempre contrapôs oposições: preto-branco, positivo-negativo, presença-ausência, alcançando, em obras como "Concretion 5629" e "Concreção 5836", plenos efeitos ópticos.” MATTAR, D. 2021, p. 15
- “Embora muitas pinturas de Sacilotto dos anos 1950 sejam construídas a partir de uma composição classicamente ‘concreta’ de formas avulsas sobre uma superfície branca e plana, vemos como o artista logo abraça um tratamento de ‘ocupação total’ da superfície em que a justaposição de cores e tons cria um efeito óptico de profundidade física e vibração superficial. [Gabriel Pérez-Barreiro]” MATTAR, D. 2021, p. 25-26
- “Um dos trabalhos mais discutidos de Sacilotto, Concreção 5629, é uma obra realizada em esmalte sintético sobre alumínio, na qual assume sua personalidade artística através dos materiais que utiliza para a realização de sua obra.
Nada nesta obra é pensado através do subjetivo, mas através do racional, da forma, da matéria, da cor, da simplicidade e da percepção aguda que a composição propõe. [...]
Concreção 5629 trata de maneira simples a sensibilidade em um único elemento, um triângulo equilátero na cor preta, que também se materializa em seu contrário, tanto em posição quanto em cor, que dá à obra um sentido de continuidade e, ao mesmo tempo, de permanência e estabilidade.” FUCHS, I. 2015, p. 48-49 - “Vibração semelhante [a da fotografia "Movimento", de Alexandre Wollner, 1955] é observada na pintura de Luiz Sacilotto (1924-2003), integrante do grupo Ruptura, também participante da Exposição Nacional de Arte Concreta e grande companheiro de Azeredo [...].
O trabalho de Sacilotto é marcado pelo geometrismo, dinamismo e ambiguidade, próprios do Construtivismo e da produção do grupo Noigandres, principalmente a da "fase ortodoxa". No caso específico de "velocidade", o resultado plástico alcançado pela repetição da letra "v" [obra Velocidade de Azeredo] (por si só, uma espécie de esboço de triângulo em sequência) aproxima-se do efeito da tela do artista: uma série de triângulos brancos e negros, criando, pela repetição/alternância, um jogo ambíguo entre figura e fundo e provocando a vibração observada. Embora cada obra utilize os materiais e as técnicas que lhe são característicos, poema e pintura parecem ter pretensões semelhantes.
O texto de Azeredo, assim como a fotografia de Wollner e a obra de Sacilotto, exige um olhar global, que abarque o objeto e reconheça o seu dinamismo. A maneira como o olho capta os efeitos desses trabalhos pode ser esclarecida pelos conceitos da Gestalt.” LEITE, M. 2011, p. 75-76 - “A tela apresenta um conjunto de triângulos pretos dispostos em fileiras horizontais sobre um fundo branco. Em decorrência da forma como o artista dispõe os triângulos pretos, o resultado dos espaços entre eles é um conjunto de triângulos brancos que salta para a frente do quadro. O que seria fundo, dessa forma, adquire força e consistência de figura, num jogo perceptivo que prossegue indefinidamente.” MOURA, F. 2011, p. 46
- “Na tela "Simples ideia" [de João José Costa], o contraste das cores altera a percepção de figura e de fundo criando a ilusão de planos distintos nas faixas de cor. De forma diversa, em "Concreção 5629", Luiz Sacilotto explorou a ambivalência perceptiva de figura e de fundo na composição com triângulos pretos e brancos que estruturam um funcionamento ótico.” COSTA, M. 2019, p. 20
- “Um dos trabalhos mais conhecidos e discutidos de Sacilotto, "Concreção 5629" é tido como seminal para as proposições que o artista articula desde o início de sua caminhada concretista, além de apresentar elementos que se desdobrarão na produção dos anos seguintes.
A obra é uma afirmação dos vínculos e filiações concretas de Sacilotto, que explora processos industriais ao recortar a chapa metálica e ao empregar alumínio e esmalte sintético na realização da tela. Nada, aqui, pode ser visto, percebido, pensado ou articulado como subjetividade. Tudo pretende dar conta da concretude da forma, da matéria, da cor, do equilíbrio, da harmonia sob a égide da ordem, da regularidade, do contraste, da simetria, da clareza, da simplicidade e da agudeza da percepção. Esse conjunto de fatores proporciona uma experiência de movimento a partir do módulo básico — o triângulo equilátero —, que o artista repete, inverte e torna ambíguo, ao investi-lo simultaneamente da condição de figura e fundo.
[...]
"Concreção 5629", que integrou a I Exposição Nacional de Arte Concreta em 1956 (MAM-SP) e em 1957 (MAM-RJ), constitui um exemplar de rara simplicidade no arranjo sensível de um único signo, o triângulo equilátero, que se materializa como igual e oposto também em termos de cor — no preto e branco —, de forma a investigar, para além da simples ideia de movimento, um sentido de continuidade e permanência.” MORAES, M. 2013, p. 60 - “Sacilotto, na sua magnífica "Concreção" n. não sei quanto (a dos triângulos pretos, em séries horizontais paralelas, em relevo sobre fundo branco, placa de alumínio), nos dá excelente realização de sua ideia, fundada na ambivalência perceptiva em que os triângulos pretos, de formas fechadas fortíssimas, de repente deixam o fundo branco tomar a frente, numa série de triângulos visuais que agem como se fossem as sombras virtuais das séries negras. O branco ganha com isso uma virtualidade inesperada. E o jogo cativante da visualidade continua a alternar-se indefinidamente. Nesta realização as figuras escapam às limitações quantitativas da geometria métrica, isto é, os triângulos não dependem nem do tamanho, nem mesmo de sua forma rígida: suas propriedades fundamentais, passam a depender, sobretudo, da posição geral das linhas e pontos onde se encontram; e daí crescerem. Movem-se eles, à medida que o olhar passeia por suas séries.” PEDROSA, M. 19 fev. 1957, p. 8
- “O seu quadro "Concrection 5629" (uma placa de alumínio, pintada de branco, com séries paralelas de triângulos pretos, levantados sobre o fundo branco), transforma-se, conforme a "leitura", em triângulos pretos, maiores que incluem um número determinado dos pequenos triângulos; esses triângulos maiores se apagam e reaparecem na рrороrção em que o olho se desloca, levado pela energia que os elementos do próprio quadro desencadeiam; de repente, o olho se desprende desse fluir de imagens semelhantes (que somem na borda do quadro e retornam), e os brancos do quadro, os triângulos brancos — ou seja, o fundo do quadro que aparece entre a rede de triângulos pretos — saltam para a frente, iniciando-se um movimento idêntico ao anterior, mas que nos leva à sugestão de uma terceira dimensão, a qual nada tem do tridimensionalismo renascentista, e que é, ao contrário, uma função incessante de formas que se armam e desarmam, num recomeçar permanente. Esse é o melhor quadro de Sacilotto, na mostra concretista, onde ele expõe cinco.” GULLAR, F. 17 fev. 1957, p. 9
- “As rígidas teorias dos concretistas de São Paulo baseavam-se no respeito à bidimensionalidade do suporte, muitas vezes de materiais industriais (como aglomerado de madeira ou alumínio), e prescreviam o uso do esmalte em vez do óleo tradicional, superfícies altamente polidas, a modularidade, o jogo entre o espaço real e o virtual, e a supremacia da racionalidade sobre a expressão. A "Concreção 5629" de Sacilotto, de 1956, uma obra em esmalte sobre alumínio, por exemplo, baseia-se na unidade modular de um triângulo equilátero, disposto ininterruptamente em oito fileiras de alternância positivo/negativo ou preto/branco, o que cria uma composição ópticamente intensa.” AMARAL, A. 1993, p. 91
- “As teorias sobre o suporte adequado dos concretistas de São Paulo baseavam-se no respeito à bidimensionalidade do suporte, muitas vezes de materiais industriais, como certo tipo de aglomerado de madeira ou alumínio, e prescreviam o uso do esmalte em vez do óleo tradicional, superfícies altamente polidas, a modularidade, o jogo entre os espaços real e virtual, e a supremacia da racionalidade sobre a expressão. "Concreção 5629", de 1956, obra de Sacilotto em esmalte sobre alumínio, por exemplo, está baseada na unidade modular de um triângulo equilátero, disposto em oito fileiras de movimento incesante e alternando positivo/negativo ou branco/negro, o que cria uma composição ópticamente intensa. [Aracy Amaral. Traduzido do espanhol]” MACKENZIE, B. 2003, p. 20
- “‘Cortados em formato de triângulos, pintados com tinta esmalte preta, se salientam e se ligam à placa retangular devido a calços e arruelas soldados em pequenos pontos e lixados posteriormente, de maneira que desapareçam as marcas. Não é um triângulo, mas 1, 2, 3, 4, 5, 6, 1 mil e 1 triângulos. A leitura disso é impressionante. Em outro momento, se parece com um casulo, uma casa de abelha. Por que o interesse por isso? Porque se multiplicam os triângulos e depois de tudo não são triângulos, são casulos.’ [Luiz Sacilotto]” TRAMONTINA, E. 1998, p. 29
- “Fui desenhista de arquitetura, depois desenhista de esquadrias metálicas. Na empresa, tinha acesso a retalhos de chapa de alumínio e comecei a pensar em fazer um trabalho com esse material.
Cortava e juntava quadradinhos, fazendo grupos e subgrupos que formavam desenhos surpreendentes.
Passei a fazer quadros concretos dentro desse mesmo princípio. Com o tempo, passei a produzir quadrados em relevos bidimensionais e fui crescendo, crescendo. Cada quadro me inspirava outro. Os quadradinhos e os triângulos foram crescendo como quadros; um deles, inclusive, pertence ao MAC (Museu de Arte Contemporânea). É um trabalho que apresenta vinte ou trinta retângulos em alumínio pintado de branco, postos com uma espécie de distanciador pintado de preto. [Luiz Sacilotto]” REVISTA E. mar. 2002, p. 13 - “Esta obra apresenta, aplicados na sua área central, sobre a placa branca, 68 pequenos triângulos equiláteros de alumínio esmaltados de preto, que fazem emergir 52 triângulos brancos invertidos. A gestalt desses triângulos suscita a emersão de outros triângulos de diversos tamanhos que se contrapõem em branco e preto, em um jogo matemático de grande movimentação visual. Exemplo clássico de Arte Concreta, de uma ideia visível criada com suportes industriais. Um trabalho impessoal para servir de modelo ao design moderno. [Gabriela Wilder]” ARANHA, C. 2000, p. 71
- “"Concretion 5629" pertence a uma grande série produzida por Sacilotto, ao longo da década de 1950, na qual se percebem indícios de sua experiência como desenhista gráfico. Ele lança mão de materiais de origem industrial, partindo de formas geométricas elementares que são repetidas e conjugadas através de um método construtivo que enfatiza as oposições entre cheio e vazio, claro e escuro e figura e fundo. Os triângulos pretos constituem-se em pequenas peças recortadas, coladas sobre a superfície branca, que, ao serem justapostas, formam um jogo de positivo e negativo com o fundo. A obra propõe uma relação lúdica com o observador através de efeitos ótico-cinéticos que permitem a visualização de espaços e formas em constante movimento. O triângulo-matriz se expande e se retrai, quebrando a rigidez dos princípios concretistas. [Helouise Costa]” AJZENBERG, E. 2006, p. 200
- “Um dos mais austeros e rigorosos artistas concretos paulistas é Sacilotto. Sua obra revela o artista-operário de Santo André enfrentando o desafio de materiais industriais e seu uso como viabilidade da arte social. "Concretion 5629", 1956, e "Concretion 5732", 1957, podem ser consideradas pinturas revolucionárias quanto à ruptura com materiais e procedimentos convencionais. A austera e binária composição formal e cromática sobre chapas de alumínio atinge um alto nível de depuração do jogo perceptivo e ambíguo da figura-fundo e de ruptura com os meios e suportes tradicionais. [Daisy Peccinini]” GONÇALVES, L. 1996, p. 13
- “No esmalte de Sacilotto, a gestalt formada pelas formas inscritas no plano suscita a emersão de triângulos que se contrapõem em branco e preto, num jogo matemático de grande movimentação visual, em um exemplo clássico de arte concreta. Um trabalho impessoal, como pedia o programa do grupo, para servir de modelo ao design moderno. [Gabriela Wilder]” COELHO, T. 1999, p. 174
- “Assumindo o suporte industrializado, no caso o alumínio, coerente com a linha concretista de eliminação de toda a subjetividade, Sacilotto, neste trabalho, parte de dois princípios básicos do movimento: o módulo, no caso o triângulo equilátero, e a ambiguidade figura-fundo. A composição se assenta sobre uma das faces de um grande triângulo equilátero composto de dezenas de pequenos triângulos do mesmo tipo. Extremamente gráfico do ponto de vista visual, o trabalho vale-se apenas do branco e do negro, aplicados em esmalte. O resultado é uma obra cinética que instiga a percepção ótica com um desconforto não apaziguado pelo campo branco do fundo sobre o qual se movem os 68 pequenos triângulos negros em jogo permanente com o olho do espectador diante dos 60 triângulos brancos invertidos e formados pela junção figura-fundo. O que faz com que se esteja diante de losangos bicolores subitamente eliminados pela visão do grande triângulo equilátero preponderante na composição. Pensadas a partir do mesmo jogo de ambiguidade entre figura e fundo, que constrói "Concretion 5629", há no MAC outras três pinturas do artista e duas serigrafias.” AMARAL, A. 1988, p. 286
- “Apesar das críticas dirigidas à maior parte dos artistas de São Paulo, tanto Gullar quanto Pedrosa elogiam o dinamismo visual criado pela obra "Concreção 5629" (1956), de Luiz Sacilotto, composta por uma sequência de triângulos pretos idênticos que se tocam alternadamente pelos vértices. Pautado na Teoria da Gestalt, Sacilotto cria uma ambiguidade entre figura e fundo que faz o observador construir mentalmente triângulos brancos e pretos de diferentes posições e tamanhos. Os elementos pretos, levemente tridimensionais, potencializam a vibração ótica da obra.” ESPADA, H. May 2008, p. 7
- “Verifica-se nos trabalhos do artista grande habilidade na conjugação geometria-Gestalt, ilustrada magistralmente em sua Concretion 5629. Nela, os pequenos triângulos equiláteros, iguais, em alumínio negro, são sobrepostos a uma base branca, também em alumínio. A disposição de triângulos sobre a base é feita de modo a criar 60 triângulos brancos, invertidos, o que faz com que se esteja diante de losangos bicolores. A percepção desses losangos é, no entanto, eliminada pela ambiguidade entre figura e fundo, ou seja, pelo jogo perceptivo permanente criado pela justaposição dos triângulos negros aos brancos. Esse jogo consiste no aparente e intenso movimento de expansão e retração dos triângulos ante os olhos do espectador.” GALLERANI, M. 1991, p. 83-84
- “O fato de Sacilotto ter trabalhado — e não apenas nas duas obras supracitadas — com chapas de alumínio deriva de seu trabalho como projetista de esquadrias metálicas na Fichet, que lhe despertou o interesse pelas possibilidades plásticas do material. Nesses trabalhos, por vezes contrarrelevos, é frequente o procedimento do artista em partir de determinada superfície plástica, "fatiá-la" parcialmente e chegar à tridimensionalidade através de dobraduras nas tiras em direções alternadas, criando cheios e vazios.” GALLERANI, M. 1991, p. 84-85
- “É frequente, nos trabalhos dos concretos paulistas, a utilização de formas geométricas regulares associadas a outras leis da Gestalt. Detenhamo-nos, por exemplo, na supracitada conjugação geometria/Gestalt operada por Sacilotto em sua "Concreção 5629". Aqui, a geometria é representada pelo módulo (triângulos equiláteros) e a Gestalt pela criação de um "complexo equívoco", em que fundo e figura alternam-se, abolindo a distinção entre espaço positivo e espaço negativo. A intermitência figura/fundo é obtida pelo artista através de leis por vezes conflitantes. Assim, por exemplo, a regularidade da forma triangular leva à sua individualização, o que faz com que os triângulos brancos e pretos "concorram" perante nosso olhar; sua uniformidade de forma, tamanho e direção dificulta a identificação de figura e fundo; por outro lado, o fato de os triângulos, percebidos pela vista, constituírem triângulos progressivamente maiores vem ao encontro da lei da clausura, pela qual "toda unidade tende a ultrapassar-se, pedindo todos maiores, seja pela função de semelhantes ou de vizinhos ou pela ambiguidade campal" (Mário Pedrosa, 1979, p. 28). Isso explica o jogo perceptivo de expansão e retração dos triângulos ante os olhos do espectador.” GALLERANI, M. 1991, p. 87
Exposições
- 2024, Some may work as symbols: art made in Brazil 1950s-70s.
- 2024, Sacilotto contemporâneo: cor, movimento e partilha.
- 2022, Ruptura e o grupo: abstração e arte concreta, 70 anos.
- 2011, Modernismos no Brasil.
- 2010, Brasília e o construtivismo: um encontro adiado.
- 2007, Tendências construtivas.
- 2006, Concreta‘56: a raiz da forma.
- 2005, 5ª Bienal do Mercosul: a persistência da pintura.
- 2004, Plataforma São Paulo 450 anos.
- 2001, Exposição permanente: a coleção.
- 1999, O Brasil no século da arte: a coleção MAC USP.
- 1998-1999, Brasil: anos 20 a 70.
- 1997, 1ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul.
- 1996, Arte brasileira: 50 anos de história no acervo MAC USP: 1920-1970.
- 1996, Tendências construtivas no acervo do MAC USP: construção, medida e proporção.
- 1996, O mundo de Mário Schenberg.
- 1995-1996, Homenagem a Mário Pedrosa: artistas comentados.
- 1994, Bienal Brasil século XX.
- 1994, Tendências construtivas no acervo MAC USP: construção, medida e proporção.
- 1991, Arte brasileira.
- 1991, Arte brasileira.
- 1990, Arte brasileira.
- 1990, Arte brasileira.
- 1989, Olhar do artista: Haroldo de Campos, uma escolha.
- 1988, MAC 25 anos: destaques da coleção inicial.
- 1988, Arte brasileira no acervo do MAC.
- 1987, Tendências da arte do século XX: destaques da coleção.
- 1987, Artistas construtivos na coleção Theon Spanudis.
- 1986, Tendências construtivas no acervo.
- 1985, Síntese da arte brasileira no acervo: 1920-1980.
- 1985, Tendências construtivas no Brasil.
- 1984, Tendências construtivas no Brasil.
- 1983-1984, Aspectos do abstracionismo na coleção do MAC.
- 1980, Sacilotto: expressões & concreções.
- 1979, Grupo de seis famosos artistas.
- 1977, Projeto construtivo brasileiro na arte (1950-1962).
- 1977, Projeto construtivo brasileiro na arte (1950-1962).
- 1968, 1º Salão de Arte Contemporânea de Santo André [sala especial].
- 1957, 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta.
- 1956, 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta.
Fontes de Pesquisa
Livros
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- ARANTES, O. 2004. p. 89 ficha técnica da obra e reprodução: cor, p. 187 ficha técnica de obra.
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- ARTE no Brasil. 1979, v. 2. p. 809, 1109 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- BANDEIRA, J. 2008. p. 23 reprodução de obra: p&b.
- BOHNS, N. 2005. p. 182-183 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- COELHO, T. 2000. p. 13, 62 ficha técnica da obra e reprodução: cor, p. 102 citação sobre a obra.
- FERREIRA, G. 2015. p. 81 ficha técnica da obra e reprodução: cor, p. 274-275 citação sobre a obra.
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- LUIZ Sacilotto. 2005. p. 31 citação sobre a obra.
- MARTINS, L. 2018. p. 71, 297 citação sobre a obra.
- MATTAR, D. 2021. p. 7, 15 citação sobre a obra, p. 8-9 reprodução de obra: p&b, p. 84-85 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- MATTAR, D. 2021. Versão em inglês. p. 8-9 reprodução de obra: p&b, p. 15 citação sobre a obra, p. 58 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- MORAES, M. 2013. sumário reprodução de obra: cor, p. 60-61 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
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Catálogos de Exposições Individuais
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Material Gráfico de Exposição
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Publicações Periódicas
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Produção Acadêmica
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Vídeo/CD-ROM/DVD