LS0385
Sem título, 1976
Material, Técnica, Suporte
guache sobre papel
Dimensões
48 x 48 cm
Local de Produção
Santo André, SP - Brasil
Inscrições
da assinatura: c.i.d. Scailotto
data de produção: c.i.d. [19]76
outras inscrições de punho: c.i.d. Guache
outras inscrições de punho: c.i.e. 232
Obras Associadas
Excertos de Texto
- “A opção por obras monocromáticas [em meados da década de 1970] se deve ao fato de que, por meio delas, é possível evidenciar o princípio binário que rege as estruturas de suas criações, uma alternância de luz e sombra, cheios e vazios, figura e fundo que se interconectam, proporcionando um rico universo perceptivo. [...]
Os guaches de 1976 evidenciam a construção espacial por rede, implícita na obra [sem título] [...]. Trata-se de um tecido constituído de linhas e espaços que constrói um universo ativo interdependente.” DELLA ROCCA, R. 2004, p. 68 - “O estudo da estrutura da obra [...] proporciona o desdobramento espacial. A experiência de troca do suporte opaco para o transparente conduziu o olhar a penetrar no espaço, expandindo cada elemento na dimensão dos corpos físicos. Os quadrados se transformaram em cubos [...].
Como uma estrutura celular, os cubos constituem um corpo. Células sem gravidade entremeadas de vazios, espaços de luz, o branco a sustentar infinitas cavernas flutuantes.
A proposta não é apenas transportar os elementos a uma densidade tridimensional, e sim registrar a expansão espacial contida na própria composição.” DELLA ROCCA, R. 2004, p. 113-117 - “Essa obra é constituída por um princípio binário que se revela nas oposições preto/branco e figura/fundo, mas também no quadrado como forma suporte (48 × 48cm) que se opõe ao quadrado como elemento de composição.
Ao fixarmos os olhos, percebemos uma expansão virtual desses elementos.
Para compreendermos os mecanismos utilizados pelo artista, apresentarei uma reconstrução de seu percurso de realização. Comecemos pelo suporte e o esquadrinhamento inicial desse espaço: Sacilotto divide o quadrado na diagonal, unindo a ponta inferior esquerda com a ponta superior direita, com uma fileira de quadrados tendo como base a horizontal e a vertical. Observemos os resultados de tais operações: [...] observamos [então] a repetição do padrão. O que acontece neste intervalo entre colunas iguais? Olhando atentamente, notamos que os quadrados perfazem uma rotação, da linha central diagonal para o canto inferior direito, no sentido horário, e na parte oposta no sentido anti-horário: a composição segue uma ordem rígida, sequencial, apenas interrompida pelo limite do suporte utilizado. Observemos as duas metades da obra espelhadas a partir do eixo estabelecido pela diagonal central: utilizando o mínimo de recurso formal, uma única forma geométrica como suporte e elemento compositivo — o quadrado — e o conjunto binário, presença e ausência de luz — branco e preto —, Sacilotto estabelece regras para a realização do jogo perceptivo. Ao completar-se a obra, o rigor formal gera múltiplas possibilidades perceptivas. O conjunto não é mais cada elemento disposto rigorosamente em relação aos demais. O rigor transforma-se em fluxo. Não um fluxo unívoco: quanto mais há fruição, mais possibilidades de caminhos se constroem, ora curvas, ora retas, ora caos, ora ondas, ora outras combinações. Equilíbrio e desequilíbrio. Sacilotto dispõe a fileira base de quadrados na diagonal, da esquerda inferior à direita superior, tendo como base o ângulo de 90° apoiado na horizontal e na vertical, obtendo assim elementos em estado de repouso. Nas fileiras subsequentes estabelece um movimento de rotação, o quadrado está em movimento, em desequilíbrio crescente a cada nova fileira, até atingir novamente o apoio e equilibrar-se, para deslocar-se novamente. Sacilotto propõe um elemento de construção humana em estado de natureza. A natureza está em constante movimento [...].
O processo de construção da obra nos possibilita a experiência visual de um espaço vazio a ser preenchido, não de qualquer maneira, mas sim como uma inundação de elementos que dão pulsação a este suporte, inicialmente silencioso. A movimentação e a potência de desdobramento infinito sugerem uma flutuação, um espaço com ausência de limites. Podemos perceber a composição como uma série de quadrados em deslocamento ou que ela seja apenas um em progressão, isto é, um único quadrado girando ininterruptamente sendo a obra o registro do rastro desse movimento. Não há fatores que conduzam a individualização dos elementos, a diversidade contém a unidade.” DELLA ROCCA, R. 2004, p. 70-75
Exposições
Fontes de Pesquisa
Catálogos de Exposições Individuais
Publicações Periódicas
- LUIZ Sacilotto. 15-21 jun. 2001. p. 66 reprodução de obra: p&b.
Produção Acadêmica